Crença limitante ancestral

Nunca se sabe de onde vem um "eureka". Sabe essas publicidades que aparecem no Instagram? Por algum motivo estão aparecendo publicidades em espanhol... estou fazendo duolingo mas pelo computador e assisto os  stories no celular. Bom, isso não importa muito, mas o que importa é o conteúdo da publicidade.

O cara fala que as células têm memória celular e que um cientista certificou isso com um estudo de vírus em ratos, onde ratos que foram expostos a determinados vírus passaram essa defesa para seus descendentes. Mas não apenas evidências físicas como um vírus, mas de sentimentos, como o medo. E eu já ouvi muito dizerem que as memórias de nossos ancestrais passam para nós, desde as memórias positivas às negativas, já até li sobre isso em outros lugares. Porém algo faltou para que eu soubesse exatamente o que estavam dizendo. Daí esse cara falou uma coisa que fez sentido: Não adianta tentar mudar algo hoje se não mudarmos os bloqueios que foram colocados em nossas células.

Para mim, meus ascendentes sempre foram prósperos, com dificuldade cuidaram de suas famílias, mas conseguiram viver com alegria. Então no vídeo desse moço apareceu uma imagem de guerra e ele disse a frase: para alguns de seus ascendentes, talvez ter muito não era seguro. Bum! Explodiu algo na minha cabeça. Eu tenho uma ligação forte com meus ascendentes italianos e o sentimento de que devo voltar para a Itália, como se eu devesse levá-los de volta. 

Em um documentário sobre a imigração italiana diz que os italianos que migraram para o Brasil deixavam casa e tudo o que tinham. Vendiam o que dava para vender. Quando chegavam no porto, tinham que pagar um pouso até aguardar o dia de o navio partir. Ou seja, eles acabavam perdendo absolutamente todo dinheiro, deixavam a família, a pátria, a língua, tudo. Não foi bonito, não foi romântico, foi duro, doloroso, triste. Os governos italiano e brasileiro fizeram um acordo em que o Brasil receberia os italianos, que em sua maioria eram agricultores na Itália e passavam por muitas dificuldades assim como todo o país. Eles ganharam os passaportes, mas deveriam pagar as passagens e iriam para trabalhar onde desse, em minas, cafezais ou outros tipos de plantações. Quando chegavam no Brasil, não tinham apoio adequado para reconstruírem suas vidas e sua língua também foi podada, por isso desenvolveram o talian no Sul do Brasil. Não tenho registros nenhum de meu tataravô, mas imagino que ele tenha ido trabalhar em uma mina em Nova Lima, pois lá se estabeleceram. Meu bisavô ainda era criança quando vieram, tinha 9 anos, era o mais velho dos irmãos. Eu imagino como deve ter sido para sua mãe, vir para um país desconhecido com 5 crianças, sendo uma com menos de 2 anos.  

Dito isso, devido à minha ligação com minhas raízes italianas, concluí após assistir essas publicidades patrocinadas enviadas do além, que seria normal que eu também carregasse a dor e a culpa de ter reunido pouco em minha vida e que em determinado momento eu tivesse que deixar tudo, todo o pouco, para ir para outro país tentar começar. O medo, a insegurança, estariam guardado a nível celular. 

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